Depoimento de Cristina Suss sobre o curso de formação em Terapia de Integração Psicoespiritual - TIP

Quando uma pessoa cética, hiperativa, auto-suficiente e desconfiada, põe os pés em um local chamado Instituto Era Dourada, tem a sensação e a mais absoluta certeza de que se está adentrando em um território completamente desconhecido e misterioso... - Cristina Suss

Comecei este relato já abordando minha percepção do local, mas, na verdade, passei um longo tempo me perguntando o que realmente teria me levado a procurar esse ambiente.

Sou formada em Artes Cênicas, Musicoterapia, Pedagogia, Psicologia e sou Psicanalista há muitos anos, com pós-graduação em Saúde Mental e Neuropsicologia, e uma das explicações para ter ido a busca de um curso de Terapia de Vidas Passadas, era por não conseguir dar andamento em alguns casos de pacientes que, após vários anos de análise, recaíam nas mesmas questões que os faziam sofrer.

Mas por que não buscar uma outra abordagem? A comportamental, por exemplo! Ou ainda a linha Reichiana, Junguiana, o Behaviorismo, a Cognitiva, a Análise Transacional, a Gestalt, a Terapia Racional Emotiva Conductual, ou ainda outras. Pelo menos, todas essas acima citadas, têm de alguma forma, relações mais próximas com a Psicanálise.

Não satisfeita com esta explicação, parti para o fato de também ter formação em Artes Cênicas, assim, ser uma pessoa mais “aberta” a inovações, pois em minha trajetória enquanto atriz, já havia vivido vários papéis, ou seja, cabia aí uma busca pela TVP.

Porém, a busca por uma resposta ainda me incomodava, pois sempre me defini como uma pessoa realista e racionalista, que não faz nada sem ter um motivo óbvio, ou seja, tudo tem que ter um porquê bem definido. Depois parti para a justificativa da curiosidade científica! Era uma boa explicação. Mas ainda não me satisfazia. 

Como sou uma pessoa decidida, fui para o primeiro dia de aula de Terapia de Vidas Passadas, no dia 06 de março do ano de 2009, mesmo sem saber bem ao certo o que me levava até aquele lugar.
À primeira vista, o lugar me pareceu estranho, senti um frio na boca do estômago assim que desci do carro; parecia que estava novamente no meu primeiro dia de aula, há trinta e poucos anos atrás, pois tudo era novo, desconhecido e até certo ponto assustador. 

Fiquei logo atenta para saber quem era a esposa do colega que havia me recomendado ao curso. Quando a avistei, fiquei mais tranqüila, pois no meu entender, já havia feito amizade com outra pessoa que possivelmente, estava também perdida naquele lugar, pois ela era médica, ou seja, a formação dela era ainda mais distante da TVP do que a minha. Sem perceber, fui ficando mais tranqüila, pois aconteceu algo muito inesperado: “As pessoas estavam falando comigo”! 

Parece estranho, mas aquilo não era o normal. As pessoas não costumam falar comigo, logo de início. Normalmente elas me acham arrogante e antipática. Mas ali, todos foram muito simpáticos e acolhedores.

Fomos conduzidos à sala na qual teríamos as aulas. Cada um foi se acomodando como queria. Uns sentaram-se nas cadeiras e outros se sentaram em colchonetes, no chão. Também achei aquilo meio estranho, pois venho de uma formação educacional bem ortodoxa. 

A aula teve início e eu ainda nem havia percebido, me virei para minha nova amiga e perguntei quem seria o professor, ela fez um gesto com a mão, apontando para frente. Quando olhei, me deparei com um homem sorridente, sentado em uma cadeira, em posição de lótus, de rosto calmo, sereno, que olhava ao redor e conversava amigavelmente com todos. Fiquei surpresa! Fui surpreendida por um pensamento estarrecedor: “Meu Deus... será que ele vai começar a aula falando sobre meditação?” E logo após, o maior e mais aflitivo de todos os pensamentos: “O que é que eu estou fazendo aqui?”

O professor começou pedindo para que todos fizessem uma breve apresentação, falassem um pouco de si, profissão, formação, e dissessem o por quê de terem buscado o curso de TIP. Eu gelei! Mas logo a curiosidade de ouvir a justificativa dos outros, foi maior.

Ao ouvir as apresentações, me dei conta de que todas aquelas pessoas pareciam ter uma justificativa extremamente cabível para estarem ali, mas o mais assustador, é que todos eles já estavam familiarizados com questões como, regressão, reencarnação, obsessores, chakras, energização, aura, expansão da consciência, constelação, fraternidade branca, florais, cristais, deeksha, desenvolvimento espiritual, padrões emocionais, magnified healing, etc, parecia que todos, de alguma forma, já faziam parte daquele mundo. Menos eu! Novamente pensei: “O que é que eu estou fazendo aqui?”

Sem que eu me desse conta, havia chegado a minha vez de falar. Engoli o nervosismo, me apresentei, acho que falei um monte de besteiras sobre autoconhecimento, falei sobre minhas formações, minha profissão e pronto. Quando terminei fiquei mais aliviada. Mas, eu havia me esquecido de dizer o por quê de eu estar ali. 

O professor me olhando firmemente, mas com um sereno sorriso no olhar, me fez a drástica pergunta:
- Mas Cristina, por que você veio em busca da Terapia de Vidas Passadas?

Aquela pergunta, que deveria ter entrado pelos meus ouvidos, parecia ter se chocado com a minha cabeça, como se fosse uma paulada. Na hora, vieram várias respostas em minha mente, ou melhor, parece que minha vida toda, passou, em questões de segundos, pela minha memória. Tudo foi tão rápido que ainda deu tempo de eu pensar novamente: “Meu Deus, o que é que eu estou fazendo aqui?” 

Pra não enrolar muito, fiz uso da primeira desculpa que eu havia formulado: era por não conseguir dar andamento em alguns casos de pacientes que, após vários anos de análise, recaíam nas mesmas questões que os faziam sofrer. Que alívio! Senti-me até orgulhosa, por ter dado uma justificativa tão bem fundamentada e até certo ponto, humanitária. 

A aula continuou. Todos fizeram suas apresentações. Posteriormente o professor distribuiu alguns textos e dentre eles o que nós iríamos discutir naquela aula, ou melhor, no meu caso, eu iria apenas ouvir o que ele tinha pra falar sobre aquele texto, que o próprio título já me deixou ainda mais confusa: LIBERTE-SE - REALIDADE INTERNA E REALIDADE EXTERNA - PERSONALIDADE E CRENÇAS.

O professor começou a falar, mas eu não conseguia parar de pensar, ler e reler a primeira citação do texto:

Ao ignorar o interior você permanece ignorante. Não ignorar o interior é o começo da sabedoria. Gosto desta palavra ignorância. Ela significa que algo foi ignorado, algo foi desviado, você não prestou atenção a ele. Algo está presente, sempre esteve presente, mas você tem sido negligente com ele. Talvez por estar sempre presente, ele possa ser facilmente ignorado. É muito fácil ignorá-lo, aprendemos a ignorá-lo. Esse é o significado da palavra ignorância. Deixe que sua busca seja o começo do não mais ignorar o interior, e o despertar virá por sim mesmo. E, quando o amor estiver desperto, a vida terá um sabor totalmente diferente: o sabor do néctar, da imortalidade, da vida eterna ...” (Osho)

Comecei a pensar em mim, em meu interior, em como eu podia ter me dedicado tanto a tantas coisas, a tanto estudo e ainda ser tão ignorante por não ter prestado atenção em mim mesma, ter ignorado meu interior?

A aula continuou e além de já estar meio atordoada com o fato de não ter prestado atenção em mim mesma, eu ainda tive que me abrir para uma nova e inusitada conceituação sobre a personalidade, sobre a formação das crenças, de espiritualização, etc.

Mas o segundo texto, também discutido na primeira aula, me deixou ainda mais surpresa: AUTOCONSCIÊNCIA - SAINDO DO PILOTO AUTOMÁTICO.

Que título inusitado! E eu que pensava, que o certo era estar no piloto automático, para assim, poder não dar tanta atenção às coisas pequenas e corriqueiras da vida. Ledo engano! 

Neste texto, havia também uma citação: 
“Aquele que olha para fora, sonha. Aquele que olha para dentro, acorda.” (CARL JUNG)

Eu tinha a mais absoluta certeza de já ter lido toda a obra de Carl Jung. Mas como eu não havia prestado atenção naquela frase? Novamente a questão sobre ignorar o interior, começou a me afligir!

Ao término da aula, todos se cumprimentaram e por mais incrível que possa parecer, as pessoas já sabiam o meu nome.

Quando cheguei em casa, meu marido me perguntou: - E daí, como é o curso? É o que você esperava?
Eu respondi meio atordoada: - Sabe, a sensação que eu tenho, é a de que eu fui abduzida, fiquei por um tempo em um outro planeta, em um lugar muito estranho, e que depois disso, eles me deixaram voltar pra casa. Meu marido riu! Mas na verdade, era o que eu realmente estava sentindo! 

Eu disse a ele que o pessoal era muito estranho e ele me perguntou por quê? Eu respondi: - Eles sabem o meu nome. Todos me cumprimentaram e o pior de tudo, é que eu acho que eles gostaram de mim!

Eu realmente estava pisando em solo desconhecido! Mas continuei. Os dias foram se passando, as aulas foram ficando cada vez mais estranhas, porém, quanto mais estranhas ainda mais interessantes, mais surpreendentes. Eram novos conhecimentos, novas formas de ver, ou melhor, rever o mundo à minha volta e a mim mesma. Pela primeira vez em minha vida, eu comecei a sentir saudade das pessoas, a gostar 100% do que estava fazendo e a não desejar ansiosamente a chegada das férias. A cada aula eu voltava pra casa, ainda mais maravilhada! 

Participei de várias regressões, conduzi outras tantas, descobri dores, anseios, dúvidas, carências, crenças, frustrações, fraquezas, que eu não fazia a mínima idéia de que estavam em mim, que me pertenciam. Mas ao mesmo tempo, descobri também uma força imensa, uma garra, um entusiasmo ainda maior pela vida. 

Descobri que respirando eu evito querer que as pessoas sejam perfeitas e que eu também não preciso cobrar tanta perfeição de mim mesma. Ninguém imagina o tanto que eu tive que respirar! E ainda continuo respirando!

Descobri que posso ser como os outros seres humanos, ou seja, imperfeita, e que nada de mal irá me acontecer. Que posso deixar o carro em frente à bomba de gasolina e ir pagar a conta no caixa. Digo isto, por que esta foi a minha grande tarefa durante boa parte do curso, pois a questão de uma pessoa abastecer o carro e deixá-lo em frente à bomba de gasolina e ir pagar a conta no caixa, me deixava extremamente irritada. Um dia, durante uma aula sobre a Percepção do Estado Interno, falei ao professor sobre esse meu incômodo. Ele me pediu para que observasse aonde esse incômodo me “pegava”, aonde ele se situava em meu corpo. Eu lhe disse que era como se fosse uma angústia, uma aflição, uma raiva, um ódio que me dava um aperto no peito. Pensei, depois de contar meu drama, que o professor fosse me dar uma resposta que me fizesse entender o motivo de tudo aquilo. Não!
Ele apenas me mandou respirar, falar com a Divindade, com o meu Eu Superior e que acima de tudo eu deveria fazer aquilo que tanto me afligia, ou seja, que eu deveria ir ao posto, abastecer, descer do carro e deixando-o ali, em frente à bomba de gasolina, ir ao caixa para efetuar o pagamento. Fazer tudo isso, mesmo, que atrás de mim, tivesse uma fila de carros a esperar. Fiquei simplesmente horrorizada só em pensar na situação!  Meu coração acelerava só de tentar imaginar como seria isso. Pensei que ele estivesse brincando. Mas meu professor riu e disse que essa seria minha tarefa de casa. Percebi então que se tratava de algo sério. Comecei treinando a situação apenas em pensamento. Meu coração acelerava, minha boca secava, minhas pernas tremiam. Era como se eu tivesse que fazer a coisa mais errada do mundo e que com certeza, eu seria gravemente punida por isso. Levei alguns meses, mas um belo dia consegui.  Tremi, suei, mas consegui vencer mais uma crença e me senti vencedora. E assim, foram várias as conquistas. 

Muita respiração, várias brigas com a Divindade, vários momentos de superação. Aprendi a ser mais tolerante, menos arrogante, mais sensível, mais calma, a ouvir mais e falar menos, a julgar menos, a acolher, a abraçar, a me dar mais atenção, a usar a respiração como forma de expansão e contato comigo mesma, a ser menos ansiosa, a ter mais concentração.

Meu marido disse que houve uma mudança silenciosa, uma transformação “da água para o vinho”.
Foram dezoito meses de puro aprendizado.

E eu que havia pensado, que no curso aprenderia técnicas para aprimorar minha prática psicanalítica! 
Passei um ano e meio aprendendo a me conhecer, a me perceber, a me conectar comigo mesma, a expandir minha consciência.

Hoje, aquela velha indagação que me perturbava, acerca do porquê de minha busca pela Terapia de Vidas Passadas, ou melhor, Terapia de Integração Psicoespiritual, não é mais um problema, pois hoje já tenho a verdadeira resposta: Precisava empreender uma busca a mim mesma!

Minha vida era comum, eu era apenas mais uma psicanalista em meio a centenas de outros, tinha dificuldades em me relacionar com as outras pessoas, por achar que nenhuma delas teria algo a me acrescentar, assim, vivia isolada em meio aos meus livros e diplomas, buscando sempre mais conhecimento, mais cursos, mais reconhecimento.

Hoje eu sei que o conhecimento de que preciso está dentro de mim, que quando vejo quem fui em outras vidas, passo a entender melhor meu comportamento nesta existência e assim, adquiro mais experiência e vou me redescobrindo a cada momento.  

Antes era como “uma cega guiando outros cegos”. Hoje não tenho mais a necessidade de salvar o mundo e sei que cada ser humano está em seu perfeito lugar de evolução e que a mim, apenas compete transmitir-lhes amor, encorajamento e a contribuir com meu conhecimento, apenas quando me pedirem e que devo lembrar-lhes sempre que a minha verdade pode não ser a deles. Tenho plena consciência de minha missão e sei que minha jornada, nesta existência, tem um propósito divino: crescimento interior e humildade.

Cristina Suss – Psicanalista, Psicoterapeuta, Terapeuta de Integração Psicoespiritual. Formada em Psicologia, Musicoterapia, Artes Cênicas, Pedagogia. Pós graduada em Neuropsicologia, Saúde Mental e em Didática do Ensino Superior. Professora em cursos de pós-graduação das áreas da Saúde e educação. Professora do curso de formação em Psicanálise na Era Dourada – Expansão da Consciência.

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