PRÁTICA/CULPA

Paul Ferrini

A própria palavra prática dá margem à má interpretação. O que você poderia praticar senão o que já sabe? E o que você sabe além da culpa, do medo e do ataque? Você certamente não vai querer continuar com as mesmas crenças e reações que o levaram ao sofrimento!

Então, o que você deve praticar? Talvez possa começar simplesmente praticando a consciência. Pratique a consciência de sua culpa, do seu medo, do seu ataque. Não disfarce o medo e a culpa, não os negue e nem os projete nos seus irmãos. Simplesmente observe estes fenômenos à medida que surgirem na sua consciência.

Quando sentir raiva ou depressão, simplesmente pergunte, "Porque eu estou com raiva?" "Porque estou sentindo tanta necessidade de me defender?" "Do que estou com medo?" Continue a perguntar até começar a ver a fonte de seu medo e da sua raiva. Depois que tiver passado através dessas camadas de emoção, pergunte-se: "Qual é a minha culpa neste caso?"

De que culpa estou falando? Todas as emoções negativas da sua vida que brotam da sua culpa/vergonha inconsciente. É fundamental que ela se torne consciente. Ela precisa vir à tona para que você possa se libertar.

Seus sentimentos de inadequação e de desmerecimento e que causaram o medo de ser castigado. E se você tem medo de ser castigado, vai viver se defendendo de todos os ataques imaginários. Sempre que sentir que alguém está pondo o seu valor pessoal em questão, você vai se preparar para puxar o gatilho.

Todo este drama de culpa e castigo acontece apenas na sua mente. Ao projetá-lo, você faz com que as outras pessoas participem dele e cria a necessidade de resolverem o problema conjuntamente. Isso só complica a situação. É pouco provável que você consiga resolver algo com os outros enquanto não se conscientizar da sua participação neste drama.

É melhor começar tomando consciência dos seus pensamentos. Assim você vai descobrir não somente que a culpa é a raiz de todo o sofrimento, mas também que você precisa se perdoar. Sem perdoar a si mesmo não é possível se libertar da culpa. Portanto, o drama da redenção também acontece apenas na sua mente.

É na sua mente que você estabelece a sua culpa e a sua inocência. Não importa quantas pessoas tenham abusado de você. Acusá-las de nada adianta. Você é o juiz que pronuncia a sentença. Enquanto você culpar alguém por seus problemas, estará se recusando a perdoar a si mesmo.

Juiz e jurado habitam nos seus pensamentos. Você declarou a sua culpa, agora é você quem tem de se absolver dessa culpa. Enquanto não fizer isso, você não recupera a sua inocência. O processo de perdão se resume nisso. Não tem nada a ver com o perdoar os outros. Tem tudo a ver com perdoar a si mesmo por declarar a sua culpa.

É nisto que se constitui a prática. Não há uma única situação em que este trabalho não possa ser realizado. Todo o cenário de sua vida é território para a sua auto-investigação. Tenha consciência de cada um dos seus pensamentos e sentimentos e você em breve vai achar a fonte da sua culpa e de todo o sofrimento que dela adveio.

Ninguém pode escapar deste trabalho. Ele é parte essencial do currículo do despertar. Quanto mais cedo reconhecer esse fato, mais fácil será para você.

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