O ÂMAGO DA QUESTÃO

Paul Ferrini

Não existe ninguém tão duro com você quanto você mesmo. Assim como todos os seus irmãos e irmãs, você sofre de um sentimento básico de inadequação e desmerecimento. Você acha que cometeu pecados terríveis que, mais cedo ou mais tarde, serão punidos por autoridades deste mundo ou por alguma autoridade espiritual abstrata como Deus ou a lei do karma.

Estas questões não-resolvidas acerca do seu próprio valor é que determinam as condições da sua encarnação. Em outras palavras, você está aqui para resolver essas questões. Você escolheu os seus pais para agravar cada vez mais a culpa até o ponto em que tome total consciência dela. Por isso, culpá-los pelos seus problemas não vai ajudar a mudar as condições que vocês estabeleceram entre si para amar. A única saída é tomar consciência da culpa e das cresças e padrões de interação que você adotou com base no medo.

Buscar alguém especial para lhe dar o amor que você não recebeu dos seus pais também não vai adiantar. Isso só serviria, digamos assim, para aumentar a temperatura da panela de pressão. Não se surpreenda se a pessoa que você escolher for a encarnação perfeita do seu pai ou da sua mãe. Não há como deixar de enfrentar as próprias feridas. Os pais, companheiros e filhos existem para ajudá-lo a ver sua necessidade de cura e você exerce a mesma função na vida deles.

Buscar amor incondicional num mundo feito de condições é absolutamente inútil. Como todos os seus irmãos e irmãs estão vivendo no mesmo padrão pautado na vergonha, eles não podem lhe oferecer o amor que você sabe que tanto merece, mas que também não consegue oferecer aos outros. O melhor a fazer é tomar mais consciência do amor de que precisa e começar a assumir a responsabilidade de dar esse amor a si mesmo.

Enquanto você não assumir a responsabilidade de banhar com amor as suas próprias feridas, não sairá do círculo vicioso de ataque/defesa, culpa e acusação. Seus sentimentos de raiva, mágoa e traição, todos aparentemente justificáveis, apenas inflamam os conflitos interpessoais e continuam a reforçar as crenças inconscientes de que você não consegue amar nem ser amado.

Você tem de conhecer a extensão do ódio que tem por si mesmo. Até que se olhe no espelho e veja suas próprias crenças refletidas nele, você vai continuar usando como espelho cada um dos irmãos que cruzam seu caminho, para mostrar-lhes o que você acredita sobre si mesmo. Apesar de nada haver de errado nesta prática, não é o caminho mais curto nem mais rápido para casa, pois sempre existe a tendência de pensar que o que você vê é a apenas a lição que outra pessoa tem que aprender.

Se você quiser sair fora da psicologia viciosa deste mundo, tem de interromper o jogo da projeção. Esse jogo esconde o seu desejo inconsciente de morte por trás de uma fachada de culpa e de moral condicionada. O mais irônico é que, no mesmo instante em que proclama a sua inocência à custa do seu irmão, você reforça seu próprio sentimento de culpa e de inferioridade.

O único modo de sair do círculo vicioso da culpa é parar de acusar. No entanto, fique preparado, pois ao sair da roda do sofrimento, você talvez descubra que já não agrada tanto as pessoas. Aqueles que deixam de fazer parte do jogo da projeção deste mundo são os primeiros a serem atacados.

Qualquer um que conheça seus próprios medos sem projetá-los estará ameaçando o jogo do mundo. Qualquer um que reconheça os próprios pensamentos mortíferos, procurando suas raízes dentro da própria consciência, estará ameaçando o arcabouço moral da sociedade.

Na sociedade humana, existe o certo e o errado. De acordo com o que vocês acreditam, aqueles que fazem o que é certo são recompensados e os que cometem erros são punidos. Sempre foi assim.

Meus ensinamentos ameaçam esse pressuposto básico. No nível mais superficial, eles contradizem a idéia de que os erros tenham que ser punidos. E no que diz respeito a castigo, sempre fui e continuarei sendo o perdão.

No nível mais profundo, meus ensinamentos contrariam a própria idéia de que alguém tenha de ser condenado por seu comportamento. Se uma pessoa age de uma maneira errada é porque tem pensamentos equivocados. Se ela perceber a inverdade de suas crenças, poderá mudar de comportamento. E a sociedade só tem a ganhar ajudando-a a fazer isso. Porém se ela for punida, suas crenças equivocadas serão reforçadas e ela ainda sentirá culpa.

Você já deve ter ouvido a expressão "dois errados não fazem um certo". Essa é a essência dos meus ensinamentos. Todos os enganos têm de ser corrigidos de maneira correta, pois do contrário a correção não passará de um ataque.

Opor-se a uma idéia, tentar subjugá-la ou argumentar com uma idéia falsa só servirá para fortalecê-la. Esse é o caminho da violência. O meu caminho não é violento. Ele traz amor àqueles que sofrem, e não um ataque. Assim, seus meios estão de acordo com seus fins.

Acusar é ensinar a culpa e perpetuar a crença de que a dor e o sofrimento são necessários. Aceitar os erros é ensinar o amor e demonstrar o poder que ele tem de se sobrepor a todo sofrimento. Em poucas palavras, você nunca está certo ao culpar nem está errado ao aceitar. Para não errar, aprenda a aceitar os erros.

Não dá para amar de maneira desamorosa. Você não vai acertar acusando o que está errado. O erro tem de ser desfeito. Desde que a raiz de rodo erro é o medo, só se pode desfazê-lo dissipando-se do medo.

O amor é a única resposta que dissipa o medo. Se você não acredita nisso, pelo menos tente. Ame qualquer pessoa ou situação que lhe desperte medo e o medo desaparecerá. Isso é verdade não só porque o amor é o antídoto do medo, mas porque medo é "ausência de amor". Sendo assim, o medo não pode existir em nenhuma situação em que haja amor.

Muitos de vocês sabem bastante sobre o medo, mas muito pouco sobre o amor. Vocês têm medo de Deus, medo de mim e medo uns dos outros.

Porque vocês têm medo? Porque se acreditam incapazes de amar ou de ser amados.

Essa é a única crença que precisa ser mudada. Toda a negatividade que existe na sua vida desaparecerá quando você se livrar dessa crença equivocada sobre si mesmo.

Você, meu amigo, não é o que pensa que é. Você não é simplesmente um acúmulo de todas as suas crenças e ações negativas. Isso é o que você pensa que é, não o que você é de verdade.

Você é filho de Deus, exatamente como eu. Tudo o que é bom e verdadeiro sobre Deus é também bom e verdadeiro sobre você. Aceite este fato, mesmo que seja por um instante, e sua vida será transformada. Aceite fato sobre o seu irmão, mesmo que seja apenas por este instante, e todo o conflito entre vocês acabará.

O que você vê é resultado direto daquilo que acredita. Se você acredita culpado, então vê um mundo de culpa. E esse mundo de culpas será punido e punirá você.

"Deus lançará sua fúria sobre você. Deus acabará com este mundo. Deus se vingará." São esses meus amigos, os pensamentos que vocês cultivam. Embora não passem de blasfêmia, essas são as idéias absurdas que vocês atribuem a mim! Felizmente, eu compreendo que esse é apenas o jeito nada sutil que vocês têm de crucificar a si mesmo.

Trata-se de uma manobra que só retarda seu progresso. Com o tempo, vocês se cansarão disso. Não tardará até que comecem a rejeitar todo o sentimento de culpa – tanto individual quanto coletivamente – e ansiar pela volta para casa.

Meus irmãos, eu aguardo com alegria e certeza este momento de completa honestidade e responsabilidade. Nesse dia, quando virem o seu bem e o bem do seu irmão como uma coisa só, tudo o que os separa de Deus se desvanecerá e vocês vão se pôr ao meu lado em todo o seu esplendor.

Então conhecerão o amor que Deus tem por vocês, além de qualquer dúvida. Então saberão que Ele nunca abandonou vocês, mesmo nos momentos da mais profunda loucura em que pensaram que Ele lhes castigaria e destruiria o seu mundo. Então vocês conhecerão o poder que a mente de de criar e optarão por criar com Deus e nunca sem contar com Ele!

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