QUATRO PASSOS PARA SE LIBERTAR DO MEDO

Paul Ferrini

Você acredita que o ego sabe o que é bom para você e pode proporcionar-lhe o que quer. Isso não é verdade nem nunca será, embora seja uma crença que você aceita sempre que adota uma estratégia do ego. O ego lhe promete tudo o que você quer, mas quantas vezes ele cumpre essa promessa? Se você responder a esta pergunta honestamente, terá de admitir que ele nunca cumpre o que promete.

Todos os planos do ego são motivados pelo medo. Você ouve a voz dele porque tem medo. Se não tivesse, ouviria uma voz diferente.

O ego parece oferecer a você um jeito de escapar do medo, mas como algo que se origina do medo pode fazê-lo escapar do medo? Isso é impossível. Só aquilo que não é provocado pelo medo pode mostrar a você um jeito de se afastar dele.

A chave de tudo é reconhecer o medo. Depois que sabe que tem medo, você percebe que toda decisão que toma enquanto está nesse estado é contraproducente.

Quando você está com medo, o único curso de ação construtivo é reconhecer este medo, perceber que no momento você é incapaz de tomar boas decisões e começar a aceitar o seu medo e superá-lo.

Eis quatro passos que podem ajudá-lo a fazer isso.

Em primeiro lugar, reconheça o seu medo? Observe os sinais de que demonstram o surgimento do medo: a respiração fica rápida e superficial, o coração começa a bater mais rápido, você fica nervoso, ansioso e tem raiva e pensamentos de ataque. Fique atento ao seu estado físico, emocional e mental, sem julgá-lo nem tentar mudá-lo. Reconheça esse estado para si mesmo e, se outra pessoa estiver envolvida, para ela também.

Em segundo lugar, reconheça que a solução oferecida pelo ego é motivada pelo medo. Entenda que seu ego sempre terá uma solução para o suposto problema. Mas, quando você ouve essa solução, não sente paz. Na verdade, a sua raiva aumenta, assim como o seu sentimento de vitimismo, as suspeitas com relação à outra pessoa e o seu comportamento defensivo diante dela. A solução do ego não pode lhe trazer paz. O que ele pode fazer é aumentar o seu mal-estar para que você possa finalmente reconhecer este sentimento.

Em terceiro lugar, aceite o medo. Envolva-o num abraço. Diga a sim mesmo, "Qual é o problema em ficar com medo? Deixe-me ficar o meu medo. Deixe-me observar porque ele aflorou em mim agora". Não seja analítico neste momento. Não se entregue a pensamentos. Fique no seu corpo emocional e ouça o que se passa ali. Você saberá quando já tiver ouvido o suficiente, pois começará a sentir mais paz, muito embora ainda não tenha solução para o seu dilema.

Em quarto lugar, diga a si mesmo: "Eu não tenho que decidir nada agora. Eu posso esperar até que meu medo diminua e eu possa ter mais discernimento para tomar qualquer decisão necessária".

Seguindo estes quatro passos, você conseguirá encarar a sim mesmo com mais amor e aceitação. E, a partir deste sentimento de compaixão, será possível encontrar uma solução, para o seu dilema, que não seja motivada pelo medo.

Não se pressione, porém, a encontrar a solução. A pressão só servirá para provocar mais medo. Continue se amando e aceitando o seu medo. Tenha paciência e deixe que a resposta brote de uma parte da sua psique que não conheça o medo.

Saiba que o ego não tem solução para nenhum dos seus problemas. Apesar de estar sempre fazendo promessas, ele não sabe do que você precisa.

Não importa o quanto ele tente, o medo não pode trazer amor. Na verdade quanto mais ele tenta, mais dificuldade encontra. E quanto mais dificuldade encontra, com mais empenho ele tenta. Essa espiral descendente de esforço árduo e inútil não cessa enquanto o medo não for aceito pelo que ele é e a pessoa tiver a expectativa de encontrar uma solução. Quando o medo não for mais encarado como uma coisa errada, ele é libertado, assim como você.

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