Stress Espiritual – Jorge Salum

Stress Espiritual 
Jorge Salum

Através da minha experiência como Terapeuta de Integração Psicoespiritual, na qual utilizo a regressão de memória, a terapia de vidas passadas, a terapia espiritual e da minha própria experiência pessoal de vida tenho tido a possibilidade de aprender sobre vários aspectos do desenvolvimento espiritual do ser humano. Apesar do processo terapêutico não estar vinculado a nenhuma religião específica, existem como “pano de fundo” alguns princípios e leis espirituais que norteiam todo o trabalho.

Somos seres espirituais em busca de aperfeiçoamento e evolução. Este ser espiritual, que pode ser chamado, também, de alma, necessita estar num corpo físico para obter os aprendizados que possibilitam desenvolver as virtudes necessárias para a sua evolução.

Uma analogia que pode ajudar a facilitar a compreensão é da alma como um estudante que está fazendo o seu mestrado numa grande universidade que é o planeta Terra. Para que ela possa freqüentar a universidade necessita de um corpo físico. O corpo físico é um material escolar indispensável cada vez que se inicia um novo ano letivo. Quando acaba o ano letivo a alma deixa o corpo físico e retorna para o plano espiritual para dar continuidade à sua evolução.     

A alma, através deste processo, busca realizar o seu “mestrado”. Atingir a maestria em alguns aspectos no plano da matéria e, conseqüentemente, evoluir espiritualmente. Depois que ela tiver obtido o grau de Mestre não haverá mais necessidade de freqüentar a universidade no planeta Terra. Ela poderá continuar o seu desenvolvimento orientando e auxiliando os “mestrandos” do plano físico a partir do plano espiritual, através de denominações por nós conhecidas como Mestre, Orientador, Mentor, Guia e outras, ou, ainda, fazer o doutorado em outras universidades em outros planos da existência.

Toda vez que a alma deixa de ter um corpo físico, de acordo com o grau de desenvolvimento e entendimento, vai ser recebida por um “espírito de luz”, um anjo, um mentor ou um parente que habita o plano espiritual. Ela é, então, conduzida para determinados lugares no plano espiritual onde, num primeiro momento, vai receber assistência de outras almas e orientadores que a ajudarão na transição e na adaptação para este novo estado de consciência. Esta assistência objetiva a estabilização dos estados mentais e emocionais que estiverem em desarmonia em conseqüência das experiências da última existência e da própria morte. Desta maneira ela obtém alívio de dores, temores ou desconfortos físicos e emocionais, aos quais ela possa estar apegada.

Depois que a alma é consolada, revitalizada e adaptada ao plano espiritual, com o auxílio de mestres e conselheiros, faz uma avaliação da última existência no plano material. Neste momento ela tem acesso às informações relativas ao planejamento que fez antes de encarnar pela última vez, assim como informações sobre vidas anteriores. O objetivo é avaliar o desempenho na última encarnação. É feito um “inventário” daquela existência. A alma avalia o que aprendeu, toma consciência das partes do aprendizado que teve maior dificuldade, dos objetivos que conseguiu ou não atingir e do que necessita, ainda, desenvolver ou aperfeiçoar. Com base nisto tudo e com a orientação destes conselheiros é elaborado o projeto de uma próxima existência no plano físico prosseguindo, assim, no seu aprendizado evolucional.

Contudo, algumas almas quando deixam o corpo físico possuem dificuldade de dar continuidade à sua evolução no nível espiritual superior. Estas almas ficam estagnadas em sua evolução, vivendo em um plano espiritual inferior, também chamado de plano astral inferior ou umbral, na maior parte das vezes próximas de pessoas encarnadas onde, consciente ou inconscientemente, sobrevivem da vitalidade destas, interferindo no estado de ânimo, nos pensamentos, nos sentimentos e na vida delas.

A esta interferência espiritual da alma que estacionou em sua evolução espiritual e que pode causar uma diversidade de distúrbios físicos e psicológicos à pessoa encarnada podemos chamar de Interferência Espiritual, Assédio Espiritual, Obsessão Espiritual ou, ainda, Stress Espiritual. Dentro das mais variadas culturas e religiões estas almas que ficam presas neste nível astral inferior próximo das pessoas encarnadas, recebem os mais diferentes nomes: personalidade intrusa, espírito obsessor, agente teta, alma penada, demônio, fantasma ou o popularmente conhecido “encosto”.

                                       

Existem muitos motivos, dos mais simples aos mais complexos, que podem fazer uma alma não dar continuidade no seu desenvolvimento espiritual e ficar próxima do plano material.

Algumas almas possuem dificuldades em desapegarem-se de seres com os quais possuem uma forte ligação afetiva: pais, filhos, netos, cônjuges ou amigos. Algumas são motivadas pela saudade, outras pelo desejo de ajudá-los, protegê-los e até mesmo pelo sentimento de culpa por algum ato cometido. Há, também, aquelas almas possessivas que acreditam que sabem o que é melhor para os entes queridos que ficaram e querem manipular a vida destes. Assim como há outras que são extremamente possessivas e apegadas aos seus bens materiais.  

Os desafetos também podem ser motivos que mantenham uma alma presa a uma determinada pessoa ou família com o objetivo de vingança.

Almas apegadas a algum tipo de vício: bebida, droga, comida, sexo ou outro, tendem a ligarem-se às pessoas que comunguem das mesmas afinidades para que possam continuar desfrutando dos prazeres terrenos.

Seres que ignoram o processo espiritual da vida, que possuem crenças religiosas equivocadas, que temem ir para o “inferno”, que tiraram a própria vida, que sofrem morte brusca em idade física jovem e desejam querer viver mais no plano físico, que morrem com sentimentos de revolta e desejo de destruição, que sofrem de sentimento de solidão ou de desproteção, que não aceitam a morte física, que não possuem consciência da morte do corpo físico e muitos, muitos outros, formam uma legião de almas que vagueiam sem discernimento pelo planeta, pelas ruas e pelas nossas casas interagindo conosco sejam através de assédios ocasionais ou contínuos.

Há, ainda, e não poucas, almas que tentam interferir na nossa vida atual por motivos kármicos, ou seja, seres que nós prejudicamos no passado ou que se sentem por nós prejudicados em vidas anteriores a esta, quando habitávamos outros corpos físicos. Sim, porque nós somos hoje o nosso melhor. Em vidas anteriores matamos, torturamos, rejeitamos, roubamos, enganamos, abandonamos e causamos uma série de prejuízos e sofrimentos para muitas outras pessoas. São as almas destas pessoas, estagnadas em seu desenvolvimento evolucional e imbuídas do sentimento de vingança, que hoje tentam prejudicar-nos e fazer-nos sentir a dor que elas sofrem. Tentam interferir na nossa saúde, no nosso bem-estar, nos nossos relacionamentos, no nosso trabalho, enfim em todas as áreas da nossa vida. Podem tentar minar e criar dificuldades e conflitos na nossa vida afetiva, no nosso desenvolvimento profissional ou pessoal.

Existem, também, os espíritos obsessores direcionados. Estes são “mandados” por pessoas encarnadas que utilizam da sua mediunidade, consciente ou inconscientemente, fazendo pactos com espíritos desencarnados que vivem no plano astral inferior com o objetivo de prejudicar pessoas no plano físico. São os conhecidos “trabalhos de magia”: para a “amarração” de pessoas, para destruir os inimigos, para o “amor”, o sucesso, a vida profissional, enfim, com o objetivo de obter poder sobre alguma pessoa ou sobre algum aspecto da vida. É uma verdadeira “roubada”, na qual o ser encarnado que faz o contrato com os espíritos desencarnados, estes mesmos espíritos e o cliente ficam “amarrados” em condições kármicas extremamente negativas.

Por mais impressionante que seja, alguns espíritos desencarnados se encontram num nível de degradação energética tão inferior que se “encostam” em animais e passam a viver da energia destes ou os usam se desta forma há uma possibilidade de nos prejudicar.

 

A interferência de espíritos desencarnados pode expressar-se de diferentes maneiras e em diversos momentos de nossa existência. Todos nós, em maior ou menor grau, conscientes ou não, acreditando ou não, somos vigiados e assediados por espíritos obsessores. Minha experiência como terapeuta fortalecendo pessoas e auxiliando-as a se libertarem de espíritos obsessores me fez compreender que a interferência deles na nossa vida é muito maior do que eu acreditava inicialmente.

O objetivo deles nos assediarem podem ser vários como já foi colocado e o acesso acontece, principalmente, através dos nossos pensamentos e sentimentos, pois conseguindo dominar estas áreas eles conseguem o poder de manipular, também, as nossas ações.

Em alguns momentos podemos nos dar conta de que algumas ações e pensamentos mais íntimos não pertencem à nossa personalidade e à nossa verdadeira essência. Podemos em determinadas ocasiões nos perguntar indignados: “Por que será que pensei ou fiz tal barbaridade? Esse não sou eu!  Eu não sou assim! Como pude fazer ou pensar tal coisa?”

É possível observar em outras pessoas comportamentos que sabemos que não são típicos delas e, então, podemos falar ou pensar: “Você, às vezes, parece outra pessoa”. Principalmente se isto acontece se a pessoa tiver bebido demais, sob a influência de alguma droga, na TPM, num período de stress agudo.

São comuns os comportamentos descontrolados, impulsivos, normalmente seguidos de arrependimento. Rápidas oscilações do estado de espírito. Crises de raiva e descontrole agressivo. Pensamentos negativos persistentes com o objetivo de tirar a própria vida ou de prejudicar outras pessoas. Pensamentos obsessivos em geral, os quais não possuímos o domínio de acalmá-los ou extirpá-los da mente.

Pessoas que possuem qualquer tipo de vício sabem da dificuldade com relação ao controle: “Já estou com outro copo na mão e nem queria beber”. Sabem da angústia e do desespero, que parecem insuportáveis, os quais só aliviam quando eles cedem ao vício, assim como sabem, também, do arrependimento que se segue.

Há pessoas assediadas espiritualmente que sofrem de cansaço e exaustão freqüentes, de depressões crônicas ou cíclicas, crises de angústia, de intensa ansiedade e de choros descontrolados, sendo que estes sintomas normalmente não apresentam uma causa conhecida ou justificável.

Em outras pessoas a conseqüência da interferência espiritual pode apresentar-se através da potencialização de doenças e sintomas físicos crônicos ou agudos, sem causa aparente, tais como dores musculares, enxaquecas, TPM, obesidade, alergias, alterações na pressão arterial, distúrbios alimentares ou sexuais, tonturas, enjôos ou outros, os quais não possuem um diagnóstico médico justificável.

Algumas pessoas sofrem a interferência de espíritos através de apreensões e medos sem motivo específico, crises de pânico, medo de escuro, medo de ficar sozinho, insônia, medo de dormir, pesadelos freqüentes, dificuldade de concentração, lapsos de memória, enquanto outras, que possuem maior sensibilidade, acham que estão enlouquecendo porque ouvem vozes, aparece em suas mentes imagens de rostos de pessoas ou imagens monstruosas, vêem vultos ou pessoas falecidas, sentem cheiros desagradáveis, sentem-se observadas e acompanhadas de “presenças” ou, ainda, passam mal em determinados lugares ou na presença de determinadas pessoas. Este grupo de pessoas dentro da medicina e psiquiatria tradicional são as mais incompreendidas.

Dentre todas as pessoas que possuem uma abertura maior para receberem o assédio de “almas penadas” estão aquelas que possuem uma mediunidade exacerbada. A mediunidade trás consigo um aprendizado kármico. Geralmente estas pessoas em outras vidas utilizaram o “poder espiritual” de uma forma inadequada e nesta vida elas, além de vivenciarem as conseqüências de atos passados, ao mesmo tempo estão aprendendo a dominar esta sensibilidade e utilizar este poder em benefício próprio e de outras pessoas.

Existem pessoas que sofrem o assédio espiritual quando dormem e o seu espírito deixa o corpo físico. Este assédio pode se revelar em forma de pesadelos horríveis, sonhos de perseguição, de tortura, de morte e outros. Outras pessoas, inocentemente, acreditam que foi apenas um sonho erótico que tiveram quando na realidade “transaram” a noite inteira com um espírito desencarnado enquanto dormiam. E, por mais estranho que possa ser, algumas delas conseguem obter um verdadeiro orgasmo desta relação com o “fantasma”. Estes espíritos são geralmente “velhos conhecidos” de vidas passadas que estão ainda ligados a estas pessoas por questões mal resolvidas ou são espíritos viciados no sexo. Todos eles, durante o sonho, podem usar a aparência de uma pessoa conhecida, de uma “celebridade”, de pessoas extremamente bonitas e sedutoras ou, ainda, aparências monstruosas e grosseiras. Há casos em que a pessoa é assediada sexualmente, constantemente durante o sono, e sente-se literalmente “violentada e estuprada”. Em todos estes casos estes espíritos agem como “vampiros” deixando a vítima se sentindo desvitalizada e sem energia quando acorda.

 

Existem eventos que podem facilitar e permitir a “entrada” de algum espírito desencarnado na nossa individualidade. Situações que nos levam a um estado de inconsciência, tais como, acidentes, um golpe na cabeça, desmaio, cirurgia com anestesia geral, choques traumáticos, abortos provocados, abuso de drogas ou de álcool.

Pessoas que passam por uma situação de stress muito grande ou que sofrem de enfermidades graves e estão muito debilitadas podem ficar propensas a uma “personalidade intrusa”.

As pessoas que mais facilmente atrairão um “encosto” são aquelas que se abrem intencionalmente para eles, seja “‘chamando” freqüentemente pessoas que já faleceram, seja através de “brincadeiras do copo” ou de “sessões espíritas caseiras”.

Nestes casos acima citados fica mais fácil de perceber a ocorrência de um assédio espiritual porque há uma mudança súbita de personalidade ou aparecem algum distúrbio físico, mental ou emocional mais evidente que inicia-se com o evento.

Pessoas que trabalham em hospitais, principalmente os psiquiátricos, cemitérios, necrotérios e presídios geralmente possuem um risco maior de vivenciar o stress oriundo dos espíritos desencarnados.

Qualquer pessoa que alimente em seu ser constantes pensamentos e sentimentos de raiva, mágoa, revolta, vingança, medo, insegurança, tristeza, desânimo, autocomiseração e tantos outros de baixa freqüência, está praticamente “pedindo” para as “alminhas” se “encostarem”.

Há casos difíceis de identificar a existência de uma interferência espiritual principalmente quando o espírito obsessor acompanha a pessoa desde o nascimento ou a infância, pois os dois “crescem juntos”, as características da personalidade deste espírito e as características da personalidade da pessoa misturam-se e a própria pessoa se identifica com as características do espírito obsessor.

É interessante observar que os espíritos obsessores que acompanham uma determinada pessoa por muito tempo, e que estão numa “zona de conforto” enquanto esta se encontra sobre o “domínio” deles, tendem a dificultar esta pessoa de se aproximar de terapeutas, de centros espíritas, de qualquer lugar ou pessoa que possa fortalecê-la ou ajudá-la a se libertar deles.

Algumas “alminhas” se mostram muito inteligentes, exercendo um certo domínio sobre os pontos fracos dos cliente e, conforme eles mesmos relatam, no dia da consulta eles tendem a passar mal, podendo sofrer desconfortos físicos ou emocionais tais como, dores, angústias, muito sono, exaustão, depressão, irritação extrema ou outros. Há clientes que narram que possuem dificuldade de chegar ao consultório porque se “perdem” ou porque acontecem “atrapalhos”, conflitos familiares ou profissionais. Outros recebem influências no nível mental através de induções de pensamentos de medo, insegurança e de dúvidas com relação ao tratamento ou a minha própria pessoa induzindo elas acreditarem que este tipo de tratamento é “besteira”, que eu estou as enganando ou não tenho boas intenções.

 

Gostaria que algumas questões ficassem bem esclarecidas. A primeira delas é que não é o meu objetivo através deste texto causar medo, mas esclarecer e mostrar possibilidades que nós temos de nos fortalecer para lidar com estas interferências aproveitando o aprendizado que elas têm a nos oferecer. Até mesmo porque o medo é um dos sentimentos que irão abrir brechas para que estes espíritos possam interferir em nós e na nossa vida.

A segunda questão é que por maiores que sejam os sofrimentos e prejuízos que eles possam estar causando na nossa vida e nas dos que nos cercam, por mais maléficos que eles possam parecer, eles ainda são, e serão eternamente, nossos irmãos espirituais. Porém, neste momento se encontram num estado evolutivo inferior, atrasados e estagnados na sua evolução, presos a estados de revolta, ambição, vingança, egoísmo, fraqueza, autocomiseração ou outros que os estimulam a agir através do que consideramos como o “mal”. Mas nós não podemos esquecer que o mal é, também, uma condição de se chegar ao bem. Uma conseqüência natural e uma condição de evolução. Nós em outras circunstâncias no passado, também, assediamos e obsediamos outras pessoas, porém aprendemos com estes erros e saímos da estagnação evolutiva. Os espíritos obsessores são irmãos espirituais nossos com um aprendizado mais lento. Por isso é importante não julgá-los nem alimentarmos sentimento de raiva com relação a eles porque a raiva, também será um canal através do qual eles poderão atuar na nossa vida.

A terceira questão é que nem tudo de negativo que sofremos, sentimos ou que acontece na nossa vida é obra dos “fantasmas”. Temos que ter o discernimento para perceber que muitas vezes somos vítimas da nossa própria negatividade e incapacidade de administrar os nossos relacionamentos, os eventos e a nossa vida em geral.

A quarta questão e a mais importante é que nós não somos vítimas injustiçadas e indefesas das malvadas “almas penadas”. Primeiro, porque nada acontece na nossa vida que não seja um aprendizado e não tenha uma explicação kármica, ou seja, no nosso passado. Segundo, porque somos nós que permitimos a atuação deles através de fraquezas, hábitos, vícios, falhas de caráter, padrões de pensamentos e sentimentos negativos e outras tendências carregadas de freqüências de baixa energia, as quais eles facilmente conseguem manipular.

A única diferença entre um espírito encarnado e um espírito desencarnado é que um deles não tem o corpo físico. Se tirarmos o corpo físico das situações, somos todos um corpo espiritual formado de um tipo de energia sutil, a qual não percebemos com os cinco sentidos. Nossos pensamentos e sentimentos são formados por este mesmo tipo de energia, pois fazem parte de nosso espírito. É mais do que conhecido que os nossos pensamentos e sentimentos interferem no nosso corpo físico assim, como energias interagem-se e interferem-se mutuamente.

Os espíritos obsessores alimentam-se da energia sutil de nossos pensamentos e sentimentos negativos, assim como estimulam-os e tentam perpetuá-los de maneira a obter poder sobre nós. Com o objetivo de nos manter na mesma sintonia baixa de energia que se encontram, aproveitam-se de nossos momentos de fraqueza, stress, autocomiseração, desânimo, irritação, desilusão, mágoa, tristeza, raiva, insegurança, desesperança, medo, culpa e outros, de nossos hábitos e vícios, das tendências destrutivas e autodestrutivas de nossa personalidade, do orgulho, da avareza, da ambição, do egoísmo, da inveja, do egocentrismo, da intriga, da malícia, da impaciência, da intolerância, da vaidade, da insegurança, da mentira, do fanatismo, da covardia, da possessividade, da manipulação, da fraqueza de caráter, da ignorância, da crueldade, da paixão. Enfim, eles se apóiam nos pontos fracos de nosso ego e suas infinitas facetas.

 

O que podemos fazer, então, para lidarmos com estes nossos semelhantes que ainda caminham pela estrada da ignorância e do sofrimento desnecessário. Além de terapeuta sou professor de outros terapeutas e uma pergunta que é constante tanto de clientes quanto de alunos é de como podemos nos proteger das energias negativas durante as sessões terapêuticas ou no nosso dia-a-dia. Normalmente eles esperam que eu sugira tipos de incensos especiais, imagens, defumações, amuletos, mantras, símbolos, ervas, aromas, essências florais, cristais, cores ou qualquer outra coisa mágica que venha de fora. Eu até ensino algumas coisas, pois não desconsidero o valor destes e outros elementos no sentido em que eles podem aumentar o nosso nível de energia e ajudar-nos a focar a nossa atenção para freqüências mais elevadas, porém deixo claro que eles não garantem nenhuma proteção definitiva.

A melhor proteção que podemos obter será através de uma malha energética que podemos construir diariamente vivendo a vida de uma forma mais saudável em todos os sentidos e mais ética possível no nosso relacionamento com nós mesmos, com as outras pessoas, com o nosso trabalho, com a natureza e a vida em geral. Não existem fórmulas mágicas, mas algumas atitudes são bastante úteis. Seguir os ensinamentos que os mestres, que já passaram pelo caminho que estamos passando hoje, deixaram. Vincular-se a um caminho espiritual ou, para aqueles que preferem, a uma determinada religião, que sustente virtudes como Fé, Esperança, Amor, Paz, Humildade, Compaixão, Altruísmo, Sabedoria, Tolerância, Respeito, Alegria, Liberdade e viver estes princípios no dia-a-dia. Seguir o que o grande Mestre Jesus diz: “orai e vigiai”. Vigiar é autoconhecimento. Conhecer e observar francamente nossos pontos fracos, nossas mesquinharias, nossas tendências. Ficarmos constantemente atentos aos nossos padrões de pensamentos e sentimentos negativos porque são eles que nos conduzem às ações e porque é através deles, também, que os “encostos” atuam, nos enfraquecendo e nos manipulando. Olhar para a nossa sombra, sem nos culparmos ou nos condenarmos, mas com o objetivo de descobrir quais as virtudes que podemos desenvolver de modo a superar estas tendências. Ficar constantemente atento que tipo de pensamentos e sentimentos estamos alimentando a cada momento. Pois como diz o grande Mestre Buda: “Se não há nenhuma ferida na mão, aquela mão pode segurar veneno. O veneno não penetrará onde não há nenhuma ferida. Não há nenhum mal para aqueles que não o fazem”. Desenvolver uma rotina de oração e meditação para estarmos sempre conectados a Deus e aos seres mais evoluídos que nós, além de auxiliar na desconexão com a sintonia dos espíritos obsessores, possibilita abrir canais através dos quais poderemos receber o apoio e orientação necessária de nosso Eu Superior e de nossos mestres pessoais para que possamos enfrentar as dificuldades do nosso dia-a-dia tirando o máximo proveito dos aprendizados que a vida oferece sem desviarmo-nos de nosso verdadeiro caminho.

Apenas desta maneira poderemos resgatar o nosso poder pessoal, o poder sobre nossa vida e sobre o nosso destino e não permitir a interferência de energias negativas ou de espíritos obsessores. Nós somos livres. Podemos decidir se vamos desenvolver virtudes ou se vamos permanecer no piloto automático, nos deixando manipular como se fôssemos marionetes nas mãos dos padrões negativos que carregamos e nas mãos das “almas penadas” que estão ao nosso redor. Como diz Gandhi: “Mantenha seus pensamentos positivos porque seus pensamentos tornam-se suas palavras. Mantenha suas palavras positivas porque suas palavras tornam-se suas atitudes. Mantenha suas atitudes positivas porque suas atitudes tornam-se seus hábitos. Mantenha seus hábitos positivos porque seus hábitos tornam-se seus valores. Mantenha seus valores positivos porque seus valores tornam-se seu Destino”.

 

Formar uma malha protetora de energia que irá impedir a atuação dos espíritos obsessores requer dedicação constante e grande determinação. É um trabalho para uma vida toda. O dia que tivermos terminado de tecê-la provavelmente estaremos iluminados, ascencionados, completamente integrados ao nosso Eu Superior, ao Pai, ao Todo.

Durante a tecelagem desta malha protetora teremos que aprender sobre o amor incondicional, a fé, a coragem, a compaixão, a entrega de nosso ego e da nossa vida física à vontade da Divindade. Pode parecer difícil, mais é possível. Estão aí, espalhados em literatura ou em presença espiritual, os grandes mestres que já passaram por estas experiências e que sabem das coisas. Se nós conseguirmos viver seus ensinamentos e seus exemplos ficará bem mais fácil.

Relembro que todos nós que estamos encarnados temos padrões negativos da nossa personalidade que viemos aperfeiçoar. São nestes pontos fracos que nossos “encostos” irão atuar. Se nesta vida eu encarnei para aprender a lidar com a agressividade, eles irão expandir e potencializar a minha agressividade. Se eu vim para desenvolver a coragem é na minha insegurança que eles atuarão. Se o meu aprendizado é a humildade, será através do orgulho e da vaidade que eles tentarão me manipular. E assim por diante. Olhando por um outro ângulo podemos considerar estes nossos irmãos “penados” nossos mestres, pois eles apontam as facetas de nossa personalidade que necessita de atenção e aperfeiçoamento.

Todo este processo torna-se difícil porque vivemos no “piloto automático”, não temos o hábito de ficarmos atento aos nossos pensamentos e sentimentos, não sabemos como lidar adequadamente com nossas emoções, não possuímos a disposição para desenvolver as virtudes necessárias que nos libertarão dos padrões negativos de nossa personalidade, nem percebemos a necessidade de estabelecermos vínculos religiosos ou espirituais constantes.

Apesar de todas estas dificuldades, administrarmos tudo isso é possível, pois a capacidade está dentro de nós. Este é o nosso grande desafio, a nossa grande terapia. Afinal de contas é apenas por este motivo que estamos num corpo físico hoje.

 

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