Liberte-se – Jorge Salum

PERSONALIDADE, CRENÇAS E PRISÃO CONSCIENCIAL
 Jorge Salum
 “A lei da mente é implacável.
O que você pensa você cria;
O que você sente você atrai;
O que você acredita torna-se realidade.”

Buda

 

Como é formada a nossa personalidade e suas nossas crenças

Como visto anteriormente, a Alma se desafia a aprender expressar suas potencialidades divinas através de um corpo físico humano. Ela passa por muitas encarnações nas quais vivencia diferentes dores e sofrimentos relacionados às mais diversas experiências e situações que acabam obscurecendo o contato com a sua essência divina. Marcada e condicionada por estas experiências ela adquire um ego, uma personalidade, que desconhece que é um Ser Divino com infinitas potencialidades.

Faz parte das experiências da Alma vivenciar situações de: perdas, frustrações, erros, rejeição, abandono, humilhação, engano, privação, traição, incompreensão, fracasso, perseguição, injustiça, punição, entre outras. Ela experimenta diversos sentimentos e sofrimentos, entre eles: mágoa, raiva, medo, tristeza, orgulho, revolta, culpa, vergonha, ciúmes, intolerância, desilusão, impotência, apatia, incapacidade, menos-valia, solidão, desânimo, desesperança.

Todos nós passamos por muitas experiências em corpos físicos diferentes e a nossa personalidade é constituída por um conjunto de crenças que foi formatado à partir destas experiências. Este conjunto de crenças fazem parte de nossa mente atual e configuram uma maneira personalizada de conceituarmos e de interpretarmos a nós próprios, às outras pessoas, aos eventos e à vida em geral, assim como reagir emocionalmente às atitudes de outras pessoas e aos eventos de nossa vida atual.

A combinação da conceituação de uma experiência vivenciada com a forte emoção sentida no momento em que a experiência é vivenciada, cria uma crença, um estado de consciência limitado, que a partir deste momento começa a fazer parte da nossa personalidade.

Por exemplo, uma pessoa se empenhou muito num determinado projeto em uma vida passada, porém não obteve êxito. Diante do fracasso ela tem diversas possibilidades de reagir emocionalmente e diversas possibilidades de concluir algo sobre esta experiência. Ela pode reagir com tristeza e concluir que não obteve êxito porque ela não tem capacidade. Ela pode reagir com indignação com relação a um grupo de pessoas e concluir, com raiva, que não obteve êxito porque as outras pessoas não apoiaram ela. Ou, ainda, reagir com tristeza, sentindo-se vítima de Deus ou da vida e acreditar, com mágoa, que não adianta se esforçar porque a vida ou Deus nunca vai ser justo com ela.

Esta crença estabelecida à partir da experiência vivenciada cria um estado de consciência limitado que fará parte da nossa personalidade, o qual levaremos conosco para outras encarnações que nos induzirá a interpretar situações semelhantes da mesma maneira e reagir emocionalmente, também, da mesma maneira.

Crenças conscientes

 Algumas vezes podemos ter consciência de algumas crenças que fazem parte de nossa personalidade que nos trazem desconfortos e limitações, nestes casos nós nascemos com a crença consciente e assumida.

Uma pessoa que carrega uma crença de incapacidade ou incompetência originária de uma experiência de uma vida passada, na atual encarnação ela pode estar consciente deste sentimento de incapacidade e  desde criança irá manifestar esta insegurança evitando enfrentar muitas oportunidades que a vida oferece porque não acredita que será bem sucedida ou, algumas vezes, poderá até tentar enfrentar alguns dos desafios, porém como se encontra enfraquecida pela insegurança que a crença de incapacidade a induz, não terá um bom desempenho. Desta maneira ela reafirmará na vida atual a crença que existe em seu estado de consciência limitado criada através da experiência passada. Esta pessoa poderá ter consciência desta crença limitante, mas poderá apresentar dificuldade de superá-la devido ao fato de estar apegada ela, à emoção de medo, ao sentimento de insegurança e de incapacidade presentes em sua personalidade.

Crenças inconscientes

A maior parte das crenças que nos limitam e nos proporcionam sofrimentos nós não temos consciência. Isto acontece porque a dor relacionada com uma determinada crença é tão insuportável que, para nos protegermos da dela, mantemos a crença no inconsciente. Neste caso atuamos em nossa vida atual numa atitude que vise supercompensar a crença numa determinada situação para evitar que o desconforto possa emergir para a consciência.

Por exemplo, se uma pessoa que carrega inconscientemente uma crença de incapacidade e fracasso irá tentar supercompensar esta crença através de suas atitudes. Ela atuará na presente encarnação como uma pessoa extremamente capaz naquilo que se propõe a fazer. Desde criança se empenha ao extremo para ter um bom desempenho em tudo faz e, provavelmente, obtém êxito. Porém, ela não atua de uma forma tranquila e relaxada, ela age tentando fazer tudo de uma maneira que o resultado seja exageradamente perfeito objetivando não entrar em contato direto com a dor de se sentir incompetente. Embora ela expresse e tenha consciência da sua competência vive dentro da limitação que a crença impõe e de seus consequentes sofrimentos. Por mais que atue com competência, sempre haverá o sentimento de insatisfação consigo própria, a auto exigência excessiva de perfeição máxima em tudo o que faz, a sensação de que deveria ter feito melhor e algumas vezes, inconscientemente, evita situações que oferecem o risco dela não ser bem sucedida. A insegurança, resultado do estado de consciência limitado pela crença que se encontra no inconsciente, se revela através da carga de tensão, da ansiedade, da preocupação excessiva e da insatisfação constante relacionadas ao seu desempenho e ao resultado de seus feitos.

Nos dois exemplos acima, a crença de incapacidade é a mesma, contudo é expressa de duas maneiras distintas.  O mais importante a se destacar nestes dois casos é que a crença é irreal, é uma ilusão, em nenhuma das duas possibilidades a pessoa é incapaz, mas o estado de consciência limitado, consciente ou inconsciente, induz a pessoa a acreditar nisso e cria desconfortos e limitação na vida dela.

O estado de consciência interpreta e distorce a realidade externa

Nós carregamos o estado de consciência limitado, composto pela crença e a emoção que a sustenta, criado em uma experiência passada para outros corpos, em encarnações subsequentes, até conseguirmos nos curar e nos desfazer dela. Numa encarnação posterior tenderemos interpretar situações semelhantes da mesma maneira, assim como reagir emocionalmente, também, da mesma maneira.

As crenças presentes em nossa personalidade formam filtros que nos impedem de ver a realidade externa como ela realmente é, ou, como preferem os orientais, estas crenças são os véus de Maya, da ilusão, que encobrem e distorcem a verdadeira realidade.

A realidade externa nunca é o que acreditamos que ela seja, ela é, apenas, um espelho do nosso estado de consciência interno.

A somatória das crenças, criadas a partir de experiências passadas, contidas em nossa personalidade formata um “programa” em nossa mente que nos induz a interpretar a realidade atual de uma maneira distorcida e nos condiciona a reagir às experiências do momento atual conforme os sentimentos e emoções relacionados estes estados de consciência limitados.

Por exemplo, cada funcionário pode interpretar e reagir de maneira distinta ao ver o seu chefe chegando ao ambiente de trabalho pela manhã de “cara feia”. Um deles que vivenciou uma experiência passada que o condicionou a desacreditar na sua própria capacidade, tenderá a interpretar a “cara feia” do chefe acreditando que o mesmo está insatisfeito com o seu desempenho e reagir mobilizado pelo sentimento de insegurança que se encontra dentro dele, o que desencadeará em certo nível acentuado de ansiedade e uma série de preocupações. Outro funcionário que foi marcado por uma experiência passada na qual foi injustamente perseguido e humilhado por uma pessoa que possuía mais autoridade que ele, interpretará a “cara feia” do chefe como uma nova possibilidade de abuso e agressão, o que reforçará ainda mais a indignação e a raiva contida dentro si. Outro, ainda, marcado por uma experiência passada de abandono e rejeição que determina ele acreditar não ser digno de receber a estima de outras pessoas, poderá interpretar a “cara feia” do chefe como mais uma possível desaprovação a sua pessoa e reagir com uma certa angústia e tristeza relacionadas com a necessidade de ser bem quisto pelos outros.

Todo este processo, na maioria das vezes, acontece de maneira inconsciente e cada um destes colegas de trabalho acreditará na ilusão de seu estado de consciência limitado e ilusório, gerando estresse e desconfortos para as suas vidas, reagindo e tomando atitudes baseadas nestas crenças, recriando e perpetuando a ilusão da sua crença limitante.

E a “cara feia” do chefe nesta situação? Provavelmente deve ser consequência de uma determinada crença do estado de consciência limitado da personalidade dele que esteja fazendo ele interpretar e reagir emocionalmente à algum aspecto da realidade externa da sua vida pessoal ou profissional.

Os estudos mais recentes sobre a influência da personalidade no desenvolvimento e controle do estresse demonstram que mais do que o acontecimento em si, a maneira como o interpretamos, sentimos e a forma pela qual reagimos a ele – a ilusão do “estado de consciência” limitado – é o que nos provoca estresse. Outra descoberta importante e interessante nestes estudos é que a ocorrência do estresse não requer necessariamente que haja perigo real. Uma preocupação qualquer ou um problema imaginário – a ilusão da realidade interna – pode iniciar o processo de estresse. A reação de estresse tem como base a percepção por parte da personalidade de algum tipo de ameaça ao seu bem-estar e esta ameaça tanto pode ser verdadeira, como algo que consciente ou inconscientemente é percebido como tal.  O componente imaginário, provindo do interior da pessoa, é muito mais significativo que a circunstância considerada como a fonte do estresse, pois uma mesma situação não constitui uma fonte de estresse para dois indivíduos de personalidades distintas. Enquanto um dará uma resposta adequada sem muito esforço, o outro poderá apresentar uma crise de angústia. Pode mesmo acontecer que o primeiro nem preste atenção ao que o segundo considere como muito importante.

A estado de consciência cria a realidade externa

A ilusão virtual do programa em nossa mente que foi formatado a partir das experiências passadas, além de nos induzir a interpretar a realidade presente de uma maneira distorcida e nos condicionar a reagir emocionalmente conforme reagimos às experiências do passado, tem o poder de recriar na realidade do momento presente a realidade do passado. Ou seja, o nosso estado de consciência, as nossas crenças, criam e determinam a nossa realidade externa.

Para exemplificar, utilizo novamente o exemplo do chefe de “cara feia”. A insegurança do funcionário que carrega a crença de incompetência fará com que ele tenha medo de tomar iniciativas e cometer erros, desta maneira o seu desempenho no trabalho será limitado. Se o seu chefe necessitar de alguém com pro atividade e iniciativa para desempenhar a sua função, provavelmente irá dispensá-lo. Neste momento a realidade externa se concretiza a partir do estado de consciência interno do funcionário, recriando no presente a realidade do passado. Ou seja, vai reafirmar ao funcionário a crença e o sentimento de incompetência que está dentro dele. Mas pode ser que o chefe seja complacente e se satisfaça com o desempenho limitado do funcionário, neste caso a probabilidade é que ele permaneça anos na mesma função e no decorrer destes anos ele veja seus colegas alcançando posições de maior sucesso profissional, seja nesta ou em outras empresas, enquanto ele permanece, sem crescimento profissional, na mesma função. Desta outra maneira, também, se encontrarão reafirmados a crença e o sentimento de incompetência que criaram a realidade externa.

Da mesma maneira, o estado de consciência limitado recriará a realidade externa do funcionário que carrega a crença de perseguição injusta e o sentimento de humilhação. A sua indignação e a sua revolta poderão fazer com que ele atue de uma forma agressiva com relação ao chefe, sentindo-se sempre injustiçado quando tem que desempenhar as tarefas que o seu cargo exige, sempre reclamando, questionando e desafiando as decisões tomadas pelo chefe, demonstrando sempre sua insatisfação de maneira exagerada e desrespeitosa até que chegará um dia, no qual ele será demitido. Ou ainda, pode ser que ele seja inseguro para demonstrar diretamente a sua revolta e indignação ao chefe e as expresse de maneira passiva-agressiva, ou seja, tendo sempre como foco nas suas conversas com seus colegas críticas, reclamações, insinuações maldosas sobre o chefe, atrasando e não desempenhando bem suas tarefas e não assumindo a responsabilidade sobre elas, até que chegará o dia em que ele será demitido. Nestas duas situações o funcionário dificilmente perceberá, mesmo que alguém tente conscientiza-lo, de que a sua demissão foi uma consequência de suas atitudes. Pelo contrário, ele acreditará piamente que o chefe, desde o dia que ele pisou na empresa, “não foi com a cara dele” e sempre o perseguiu injustamente.

Estes dois exemplos possibilitam-nos compreender que a realidade externa se concretiza a partir do estado de consciência interno, que reafirma e recria no presente a realidade do passado. Não se trata da incompetência do funcionário, porque esta não existe, ela só foi limitada pela crença de sua personalidade, nem da “perseguição injusta” do chefe, muito menos da “cara feia” do chefe. Trata-se apenas de estados de consciências internos, crenças e sentimentos criando realidades externas.

Crenças que fazem parte da humanidade

 Seguem alguns exemplos de crenças que são comuns de serem encontradas, consciente ou inconscientemente na personalidade da maioria das pessoas.

– Eu não sou amado / considerado / desejado;

– Eu sou inferior / superior aos outros;

– Eu não sou bonito / capaz / bom o suficiente / inteligente;

– Eu sou responsável pela felicidade / infelicidade dos outros;

– Os outros são responsáveis pela minha felicidade / infelicidade;

– Os outros não são confiáveis;

– Eu não mereço ter dinheiro / poder;

– Eu não mereço o carinho / amor / consideração / atenção / respeito dos outros;

– Se eu for fiel ao que eu quero / ao que eu gosto / não serei aceito pelos outros;

– Eu sou um peso para os outros;

– A vida é dura, tudo é muito difícil;

– Viver é só sofrimento;

– A vida é injusta;

– Eu só faço besteira;

– Eu não sou capaz de tomar decisões corretas;

– Eu não sou compreendido;

– Não é seguro expressar os meus sentimentos;

– Eu não posso errar;

– Eu tenho que ser perfeito para receber o amor/ a consideração dos outros;

– Eu preciso lutar ou mostrar a minha força para ter o amor / a consideração / o respeito dos outros;

– As pessoas são más;

– Os homens / as mulheres não são confiáveis

– Eu não sou importante;

– Eu sou uma decepção / imperfeito / burro / fraco / indefeso;

– Eu tenho que lutar muito para conseguir o que quero;

– Eu preciso do amor de uma determinada pessoa para ser feliz;

– Eu sou uma pessoa má;

– Eu não quero estar aqui.

 

A dificuldade se nos libertarmos das crenças formadas pelas experiências passadas

Por mais que nós tenhamos consciência das crenças formatadas por experiências passadas e das limitações que elas nos impõem, refletirmos sobre a inconveniência de mantê-las, não é fácil nos desapegarmos delas. O que dificulta isso é o componente emocional. Existem situações nas quais refletimos e chegamos à conclusão que não é satisfatório para nós continuarmos reagindo de uma determinada maneira e então decidimos que na próxima vez que nos encontrarmos em tal situação reagiremos diferente. Porém, quando nos encontramos na situação novamente não conseguimos mudar a nossa atitude e, mais uma vez, acabamos reagindo emocionalmente da mesma maneira que consideramos inadequada.

É muito difícil nos desapegarmos das crenças e das emoções e sentimentos que a sustentam, por mais que nós tenhamos consciência delas e das limitações que elas nos impõem. Mesmo refletindo sobre a inconveniência de carregar uma crença limitante e estarmos decididos de não mantê-la mais em nossa personalidade, não é tarefa fácil nos desapegarmos delas. O que dificulta isso é o componente emocional. Existem situações nas quais refletimos e chegamos à conclusão que não é satisfatório para nós continuarmos reagindo de uma determinada maneira e então decidimos que na próxima vez que nos encontrarmos em tal situação reagiremos diferente. Porém, quando nos encontramos na situação novamente, por mais que desejemos, não conseguimos mudar a nossa atitude e, mais uma vez, acabamos reagindo emocionalmente da mesma maneira que consideramos inadequada.

Isto acontece porque nesta situação é ativada uma crença de um estado de consciência limitado que faz parte da nossa personalidade e a carga emocional forte, que está profundamente ligado a ele, assume o poder, independente da nossa vontade. Todos nós conhecemos o sentimento de impotência e de frustração, quando o nosso poder de discernimento e de decisão fica enfraquecido pelo poder da emoção conectada à crença em determinadas situações.

Livre-arbítrio e prisão consciencial

Nós acreditamos que somos livres, mas nossa liberdade é muitas vezes tolhida pelo apego que nós temos às crenças limitantes, e suas cargas emocionais, que se apresenta em muitas situações que fazem parte de nossa vida que gostaríamos mudar, mas nos sentimos impotentes para agir de maneira diferente diante delas. Vivemos numa prisão consciencial, presos num estado de consciência limitado, numa crença que nos ilude, nos limita e nos tira o poder e a liberdade de decisão.

Quantas vezes permitimos que o medo e a insegurança nos desviem e nos impeçam de realizar algo que gostaríamos muito de fazer?

Quantas vezes permitimos que a tristeza nos conduza facilmente ao pessimismo, ao desânimo e até mesmo a depressão?

Quantas vezes permitimos que a raiva nos instigue a reagir exageradamente com irritação ou agressividade em determinadas situações, fazendo-nos falar ou fazer coisas das quais depois nos arrependemos?

Quantas vezes permitimos que a culpa nos convença a aceitar o desrespeito e o abuso de outras pessoas, de nos manter em relacionamentos nos quais nos sentimos impotentes para afirmar as nossas necessidades ou de desfrutar com alegria de situações prazerosas que a vida nos oferece?

Quantas vezes permitimos que a mágoa e o ressentimento nos impeçam de vivenciar relacionamentos que poderiam ser fontes de bem-estar em nossa vida? Quantas vezes gostaríamos de perdoar verdadeiramente alguém e por mais que desejamos não conseguimos?

O programa formatado em nossa mente, através dos estados de consciência limitados, nos manipula a repetir as mesmas atitudes, decisões e reações emocionais diante das novas experiências que a vida oferece a cada instante e, assim, perpetuamos a realidade do passado, recriando todas as dores e sofrimentos com os quais o programa foi formatado. Ele nos impede de criar novas realidades em nossa vida e de desfrutar de todos o potencial ilimitado de nossa essência divina.

A maior parte da atividade deste programa é desconhecida por nós mesmos, porque ela se processa em nosso subconsciente. Acreditamos que temos o poder de comandar a nossa vida, mas, na maior parte do tempo, somos comandados, conscientes ou inconscientes, por este programa. Recriamos e retroalimentamos, no presente, crenças, padrões de reações, atitudes e decisões que foram condicionados no passado.

Mesmo que inconscientemente, o apego as crenças e emoções contidas nelas, nos desempossam da liberdade e do livre arbítrio diante da vida. Desta maneira, vivemos no piloto-automático, na prisão consciencial que este programa nos mantem, abrimos mão do nosso poder pessoal diante da vida e do nosso destino e eternizamos o passado no futuro, perpetuando as mesmas dores, sofrimentos e limitações.

Crenças e karma

No capítulo anterior comparei o planeta Terra a um “grande terreno fértil” no qual tudo o que plantarmos nele germinará e afirmei que o aprendizado nas dimensões do planeta Terra está submetido à Lei do Karma, um exemplo especial da lei de causa e efeito, segundo a qual todas as nossas ações de corpo, fala, pensamentos e sentimentos são causas e todas as nossas experiências são os seus efeitos. Consequentemente, tudo que nós acreditamos, estejamos conscientes disto ou não, nós criamos. Podemos considerar, então, que nossas crenças e as limitações e sofrimentos que elas nos impõem, são resultados da lei do karma.

Nossos estados de consciência limitados são o karma que precisamos transformar na atual encarnação.

Quando nos separamos do Divino e nos individualizamos aqui nas dimensões do planeta Terra, nosso objetivo era adquirir aprendizado para obter a maestria para criar, nestas dimensões limitadas pela dualidade, novas realidades onde poderíamos expressar todas as potencialidades de nossa origem divina.

Nós somos seres humanos divinos criadores que viemos para cá apenas para ancorar as potencialidades ilimitadas do Ser Divino que nós somos, sustentar a energia da vida e obter maestria sobre todas as dimensões limitadas pela polaridade dualizada do planeta Terra e criar novas realidades com infinitas possibilidades. Porém, ao nos deixar iludir pelas crenças proporcionadas pelas experiências das encarnações, esquecemos que somos uma parte de um Ser Divino e estamos criando sofrimento e limitações em nossas vidas. Ou seja, estamos criando karma e vivendo dentro de uma prisão consciencial.

Crenças herdadas

Existem crenças que fazem parte da nossa personalidade que não foram criadas a partir de experiências passadas de outras vidas. Algumas das crenças que carregamos são herdadas, principalmente, da convivência com os nossos pais, familiares e professores, assim como do contato com a religião e com o meio cultural em geral.

As crenças herdadas diferem daquelas que foram cristalizadas pela emoção de uma determinada experiência. As crenças herdadas são mais fáceis de serem transformadas. Pois, ao tomarmos consciência de uma crença que faz parte de nossa personalidade que foi herdada, por exemplo, da maneira de ser do nosso pai, podemos avalia-la racionalmente, discernir se ela nos causa limitações ou desconfortos e, se este for o caso, podemos deixa-la de lado e tomar novas atitudes diante das situações que antes ela nos limitava. Desapegar-se de crenças que herdamos de nossos pais, família, educação, da religião e da cultura tende a ser um processo natural, e muitas vezes inconsciente, na medida em que vamos amadurecendo. A inexistência de uma carga emocional relacionada com as crenças herdadas é o que facilita o nosso desapego e a transformação destas crenças na nossa vida.